Atendendo ao pouco desenvolvimento, os povos tinham de criar artesanatos para se vestirem. Neste campo algumas pessoas do Arneiro têm fusos artesanais para fiarem as suas lãs. Após a lã fiada faziam as suas camisolas e os canos para as pernas de uso nos campos, sobretudo nos meses de inverno. Estes canos não cobriam os pés para estes andarem mais a vontade quer descalços, quer calçados. Muito embora os artesãos fossem do lugar dos Santos da freguesia de Tremês, o certo é que os fornos estão implantados na freguesia do Arneiro das Milhariças.Estavam implantados nesta freguesia os fornos de Francisco Carvalho desde 1880 no sítio do Paul, as talhas tiveram continuidade com seus filhos, Filipe Carvalho e João Carvalho. Manuel Carvalho laborou também com fornos de talhas desde 1880, no sítio do Estrambulhal. João Carvalho nasceu em 1888 nos Santos e faleceu em 1975. Laborou com um forno no sitio do Carril "Arneiro das Milhariças". Diamantino Carvalho trabalhou também neste forno do Carril.
Um forno de talhas era construído mais ou menos como se constrói um forno de tijolo e de telha- norma geral levava 7 tarefas dos lagares de azeite e mais 60 ou 70 talhas, talhas grandes e pequenas. Uma fornada para ficar bem cozida levava cerca de 30 a 34 horas com lenhas de pinho, saruga e mato. Uma tarefa de um lagar de azeite levava uma semana a fazer por um homem. Uma talha levava de dois a quatro dias a fazer, conforme os seus tamanhos, porque este trabalho não podia ser logo seguido para que o barro secasse.
Uma tarefa era vendida conforme os tamanhos entre 200$00 a 300$00. Uma talha era vendida por 20$00 a 25$00 por Almude. Em 1945 as tarefas foram vendidas a 200$00 cada. As talhas fizeram-se até ao ano de 1960. O artesão senhor Herminio Claro Carvalho foi o último a fazer talhas, atendendo a que as mesmas passaram de moda, devido ao aparecimento dos plásticos, e outros depósitos. As talhas eram vendidas para muitas partes do país, como para Arneiro das Milhariças, Espinheiro, Abrã, Alcanede, Serra de Santo António, S.Bento, Tremêz, Alcobaça, Amiais de Baixo, Bairro D. Constância, Rio Maior, Aljubarrota, Correias, Benedita, Turquel etc.
As tarefas eram feitas especialmente para os lagares do azeite, recipiente muito indicado para receber o azeite e a água russa. As talhas na época tinham várias aplicações para despejos, como para por azeite, azeitonas, bagaço, cereais, cal para caiações, em casa muitas pessoas punham a água para beber etc.
Os barros para as talhas existiam na área da freguesia e normalmente havia junto dos fornos- no Paul, Carril e Estrambulhal. O barro para ser bom deve ser moleirinho, um pouco fraco e ter goma. Os transportes eram feitos para as lenhas e talhas com carros de bois e carroças. A época dos trabalhos de laboração de fazer talhas e tarefas, decorria normalmente entre os meses de Junho a Outubro de cada ano.
Filipe Fernando Carvalho também artesão de talhas, nasceu em 3-11-1920 nos Santos, que fez talhas até 1950. Era filho de João Carvalho (Moço) e de Maria do Rosário (Temuda) diz que seu bisavô Francisco Carvalho foi o primeiro a fazer talhas e tarefas em barro era natural do Arneiro das Milhariças onde nasceu em 1880 casando depois em Santos onde construiu família e falecendo em 1935.