Junta de Freguesia de Arneiro das Milhariças Junta de Freguesia de Arneiro das Milhariças

História

Memórias

Padre Tavares Zanancho

Nasceu em Travassou e faleceu no Arneiro das Milhariças em 14 de Fevereiro de 1903. Foi pároco no Arneiro das Milhariças durante longos anos. Foi um Padre muito popular que passou pela aldeia, fazia muito convívio com o povo entrando e bebendo nas adegas. Falou-se que tinha relações com mulheres.

Os sermões

Segundo o Sr. José Leite Pereira de Avelar grande proprietário desta freguesia, com que o Padre Zanancho muito convivia, este ia fazer muitos sermões à vila de Coruche e levava 12 tostões. Os outros Padres que iam a Coruche levavam 15 tostões. Como ele levava mais barato os outros padres fizeram queixa ao vigário de Santarém este chamou-o a Santarém chamando-lhe  a atenção por quais os motivos que ele levava os sermões tão baratos. O Padre Zanancho disse, se o Sr. Vigário ouvisse os meus sermões nem tão pouco me dava 1 tostão por eles.

USAVA UM PAU - Padre Tavares Zanancho usava um pau e sempre que era necessário usava-o em sua defesa. Era padre mas não estava com contemplações por vezes usava-o e atirava mesmo ás pessoas. Um dia levou uma grande cachaporrada com um par nas proximidades de um vizinho, Joaquim Vicente Pitorro. O padre sempre que por ali passava fugia dessa casa na qual lhe perguntavam o porquê e respondia que tinha apanhado uma cachaporrada de um cão.

Sebastião Francisco Botas - "Chigadinho"

Nascido no Arneiro das Milhariças em 17 de Fevereiro de 1885 e faleceu a 17 de Março de 1971.

Foi grande acordeonista na sua época e bom pedreiro. Os seus pais pobres, mandaram-no guardar cabras ate aos 15 anos, ou seja até 1900. Sempre muito entusiasmado pela música, comprou o seu primeiro acordeão em 1909. O acordeão era de duas ordens, que para a época era muito bom. Aprendeu a profissão de pedreiro em Alcanena com o José da Gouxaria, que exercia o cargo de regedor na freguesia do Malhou. Também sempre muito entusiasmado pela sua profissão, onde granjeou grandes amigos, aprendeu a desenhar habitações com o mestre Sr. Domingos que vivia também em Alcanena.

Ovellho "Chigadinho" também foi desenhador. Ganhos estes acontecimentos para a época foi mais um valor para a sua nobre profissão de construção. Com mais estes conhecimentos nunca mais lhe faltou trabalho sobretudo em construções novas na região. Tinham fama as velhas chaminés e até as frontarias com desenhos, interessantes da época, nos prédios que construía. Também as semalhas das construções tinham bons acabamentos, havendo mesmo uma certa arte.

Concurso de acordeonistas em Abrã

O Tio Sebastião o mais conhecido pelo "Chigadinho" tomou parte num concurso de acordeonistas, nos festejos que se realizaram em Abrã. Neste concurso, onde havia grande expectativa, perante concorrentes de certo nome na música de acordeão na região, estavam presentes, os seguintes acordeonistas: Luisico de Aldeia de Além, Manuel Luiz de Tremes, um acordeonista de Amiais de baixo e um de Alcanede e o Tio Sebastião "Chigadinho" do Arneiro das Milhariças. Segundo os júris o concurso deu a vitória ao Arneirense "Chigadinho". A moda que o Tio Sebastião executou foi a moda do "Chigadinho" muito bem executada por ele, ganhando assim o concurso. Foi por isto que o tio Sebastião levou o apelido de "Chigadinho" nome que era conhecido na região.

Acordeonistas nos bailes e nas cerimónias na igreja

Era muito divertido. Fez bailes e carnavais em várias aldeias vizinhas e tocava muito na igreja do Arneiro das Milhariças, sobretudo pela Quaresma, com música religiosa acompanhando estas cerimónias, por vezes nas viagens para alcanena.

Como trabalhava em Alcanena de pedreiro ás Segundas-Feiras, quando fazia bailes, as noites eram dolorosas, pois tinha que fazer as viagens a pé por atalhos, de madrugada na direção do Malhou e Louriceira, por vezes com o sono batia com a cabeça nos pinheiros e outras árvores, que se encontravam ao longo do caminho, o que era preciso era cumprir quando ia tocar e quando ia trabalhar de pedreiro.  

Um dos últimos trabalhos num restauro da igreja

Atendendo a que o Tio Sebastião era um pedreiro de uma certa competência, no ano de 1965 foi convidado para fazer umas obras de restauro na Igreja Paroquial do Arneiro das Milhariças. Os trabalhos tinham um certo melindre tais como, trabalhos em arcos, em ogivas e semelhas e pilastras do exterior, junto a torre da Igreja, todos esses trabalhos feitos em alvenaria de massa e cimento e nada de pedra, mas quando os trabalhos estavam concluídos os mesmos so pareciam uma autêntica pedra da serra de onde os canteiros faziam as cantarias.

Na igreja

Um dia o tio Sebastião quando estava a trabalhar na Igreja, desceu dos andaimes e foi beber um copinho, bebida que ele muito adorava, o Sr. Antonio Martins ex-empregado do Sr. Antonio Mena responsável pelo restauro das obras em conjunto com o professor Pereira disse ao Sr. Mena o que viu fazer o Sr. Sebastião e então o Sr. Mena foi logo falar com este dizendo-lhe do seu desagrado, de ir beber vinho nas horas de trabalho. A resposta do "Tio Chigadinho" não se fez esperar dizendo o seguinte: Compadre Mena e Sr. Prof. Pereira- "eu não tinha nada e os meus pais pouco ou nada tinham, eu já arranjei com os dentes para comer com os amigos. Eu já tenho oitenta e tal anos, não preciso mais de trabalhar, eu simplesmente estou a ajuda-los para que não fiquem mal vistos!... e eu não faço mais trabalho nenhum para o acabamento das semelhas e pilastras etc. Porque não há pedreiros nenhuns nestes arredores competentes, para o acabamento destes trabalhos. Depois o Sr. Mena e o Sr. Prof. Pereira como o Tio Sebastião não quis ir trabalhar. Foram a Alcanena falar a outros pedreiros mas estes atendendo ao melindre do trabalho não o vieram fazer. E os responsáveis da obra voltaram a contratar o velho Sebastião Botas para ele acabar o trabalho na Igreja do Arneiro.

Dados de seu filho Fernando Carvalhal Botas em 28-8-1991

Uma história do tio Joaquim Mena Calado

Ao lume havia um garoto que estava a cozinhar! Passou um padre e disse o que estás a fazer? e o que é o almoço? Então olha lá como te chamas? Respondeu - sou assim Sr. Prior - Então queres ir para meu criado? Quero sim Sr. Prior - chegou a casa perguntou-lhe como era o nome da criada.

- Não sou Sr. Prior sou o Papa em Deus. Então como sapatos não e um sapato, mas e um camifato- então como se chama aquilo é bom - não é lume e uma inclemência e como se chama a criada é os braços de São Pilatos.

E o palheiro é estância. E o gato é o papa-ratos. E o lume é a inclemência. As chouriças é almas santas...

Depois o Sr. Padre foi-se deitar e o que faz o criado no fim, encheu o saco de chouriços, no fim atiçou um bocado de estopa ao rabo do gato e disse, levanta-te Papa em Deus vai acudir ao Papa-ratos, vai com inclemência no rabo e acode com abundância que leve o diabo a instância, foi ao pé do Padre e confessou com a cara - e disse - e as vizinhas perguntaram-lhe, e ele perguntava se tinha visto o criado - o que vimos o Sr. Prior todo esforçado.

Conversas típicas do Arneiro

O padre José da Moita e o seu Sacristão Filipe

Faltava o azeite na Igreja do Arneiro das Milhariças! O Padre José perguntava ao Sacristão Filipe, pelo azeite do pote da Igreja.- E o Filipe dizia que não estava a ouvir nada.- E o Padre José varias vezes lhe perguntava pelo azeite. E a resposta dele foi sempre a mesma- Sr. Prior- venha você aqui para este lado- e o Padre foi- o Filipe diz ao Padre- Sr. Prior- O dinheiro das almas onde e que ele esta!... E o Padre diz...! Bendizes tu Filipe que deste lado não se houve nada.





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